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LAB · 04 / 09

Genéricos em dados

Preço do genérico contra o original, quem compete, antibióticos no inverno e uma triagem de oportunidades de portfólio. Anvisa · CMED · SNGPC

Como funciona

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Ficha de cada análise

Objetivo, por quê, variável alvo, variáveis preditoras, método, métrica, validação e se o objetivo foi atingido.

Quanto o genérico custa a menos
Objetivo
Medir o desconto real de tabela do genérico sobre o original.
Por quê
Preço de entrada define margem de todo o portfólio de genéricos; saber onde ele se concentra mostra quanto a regulação decide e quanto sobra para estratégia.
Variável alvo
Desconto = 1 − preço do genérico ÷ preço do original.
Variáveis preditoras / explicativas
Substância, apresentação idêntica, categoria (genérico × novo).
Método
Pareamento exato por substância e apresentação; distribuição dos descontos.
Métrica
Desconto mediano; % de pares abaixo de 35 %.
Validação
Pico em 35 % bate com a regra da CMED, o que confirma o pareamento.
Objetivo atingido?
Sim: mediana de 35 %, o desconto é regulatório.
Mais concorrentes, preço de tabela menor?
Objetivo
Testar se mais concorrentes baixam o preço de tabela.
Por quê
Se o preço de tabela refletisse concorrência, daria para usá-lo em modelos de preço; se não reflete, é preciso outro dado. Testar antes evita um modelo errado.
Variável alvo
Desconto mediano por apresentação.
Variáveis preditoras / explicativas
Número de laboratórios com o mesmo genérico (log).
Método
Regressão linear sobre log(concorrentes) e medianas por faixa.
Métrica
R².
Validação
Faixas com menos de 5 casos excluídas do gráfico.
Objetivo atingido?
Sim, com hipótese rejeitada (R² = 0,9 %): o teto regulado esconde a concorrência.
Quem disputa o mercado de genéricos
Objetivo
Mapear quem disputa o mercado de genéricos.
Por quê
Concorrência por molécula define quantos rivais um lançamento vai encontrar.
Variável alvo
Registros ativos de genéricos por empresa.
Variáveis preditoras / explicativas
Empresa detentora, categoria, situação.
Método
Contagem e HHI sobre registros.
Métrica
Fatia das 10 maiores; HHI.
Validação
Só registros ativos.
Objetivo atingido?
Sim: 121 empresas, HHI 403, mercado pouco concentrado.
Antibióticos no inverno
Objetivo
Medir o efeito do inverno na venda de antibióticos.
Por quê
Produção de antibiótico precisa estar pronta antes do pico; errar o tamanho do pico vira falta na farmácia ou estoque vencendo.
Variável alvo
Variação de unidades jan → jul por antibiótico, ajustada pela cobertura.
Variáveis preditoras / explicativas
Princípio ativo, mês, tipo de receita; controlados como referência de cobertura.
Método
Razão jul/jan dividida pela razão dos controlados; GLP-1 separados.
Métrica
Variação % ajustada.
Validação
Antibióticos não respiratórios (cefalexina, nitrofurantoína) caem, como esperado.
Objetivo atingido?
Sim: azitromicina +174 %, amoxicilina + clavulanato +46 %; ciprofloxacino marcado para checagem.
Triagem: demanda alta, poucos genéricos
Objetivo
Listar moléculas com demanda e quase sem genérico.
Por quê
A próxima molécula é a maior decisão de um fabricante de genéricos; começar por demanda comprovada reduz o risco de lançar o que ninguém compra.
Variável alvo
Pontuação = log(unidades) × log(preço) ÷ (1 + genéricos).
Variáveis preditoras / explicativas
Unidades SNGPC, preço do original (CMED), empresas com genérico registrado.
Método
Junção exata por nome; triagem por pontuação.
Métrica
Ranking de pontuação.
Validação
Versão por prefixo descartada por misturar moléculas; mínimo de 5 mil unidades.
Objetivo atingido?
Parcial: triagem pronta; falta checar patente e bioequivalência.
Sub-lab · Canetas GLP-1
Objetivo
Explicar a baixa adesão da liraglutida nacional e definir a condição de preço para a semaglutida nacional.
Por quê
Lançamento sem vantagem de preço nem de posologia queima investimento e espaço de prateleira; entender por que a primeira caneta não pegou é o jeito mais barato de acertar a segunda. Custo por mês de tratamento é a conta que médico e paciente fazem, por isso comparei nessa unidade, não por caixa.
Variável alvo
Participação de cada molécula nas unidades de GLP-1 vendidas; custo mensal de tratamento (R$).
Variáveis preditoras / explicativas
Molécula, mês, preço-teto por mg, dose de manutenção, frequência de aplicação.
Método
Agregação do SNGPC; cálculo de custo por mês a partir da concentração e do volume de cada apresentação.
Métrica
Participação (%) e R$/mês.
Validação
Conferência manual das apresentações lidas da CMED; comparação jan × jul.
Objetivo atingido?
Sim: a diferença de adesão é explicada por preço igual ao original e posologia diária; a condição de preço da semaglutida ficou quantificada.
Sub-lab · Compra da Medley
Objetivo
Mapear concentração e sobreposição da compra antes da decisão do CADE.
Por quê
Se o CADE exigir venda de registros, quem já tem a lista pronta negocia melhor e mais rápido. O HHI é a medida que os órgãos de concorrência usam, então falar a mesma língua deles antecipa o resultado.
Variável alvo
Variação do HHI por molécula (ΔHHI) e HHI depois da compra.
Variáveis preditoras / explicativas
Registros ativos por empresa e molécula; empresas do grupo comprador; registros da Medley.
Método
Índice Herfindahl-Hirschman sobre fatias de registros; ΔHHI = 2 · s_grupo · s_Medley · 10.000.
Métrica
Moléculas com HHI > 2.500 e ΔHHI > 200; moléculas novas × sobrepostas.
Validação
Lista de empresas do grupo conferida na notícia de reestruturação; limite assumido: registro não é venda.
Objetivo atingido?
Sim, como triagem: 18 moléculas para olhar primeiro e 82 sobreposições para a integração.
Sub-lab · Uniformidade de conteúdo
Objetivo
Quantificar o risco de um lote fora de especificação ser aprovado e definir a variação máxima do processo.
Por quê
Recolhimento custa lote, frete reverso, multa e reputação, e acontece depois do dano. A simulação mostra que o teste de liberação sozinho não protege quando a variação do processo é alta; então o controle tem de ficar antes, na máquina.
Variável alvo
Probabilidade de aprovação do lote no teste de uniformidade.
Variáveis preditoras / explicativas
Média do teor (% do rotulado) e coeficiente de variação entre unidades.
Método
Simulação de Monte Carlo do teste de dois estágios (4.000 lotes por célula).
Métrica
P(aprovação); fração de unidades fora de 85–115 %.
Validação
Casos-limite conferidos: média 100 % e CV baixo dá aprovação ≈ 1; média 90 % dá aprovação ≈ 0.
Objetivo atingido?
Sim: meta de CV ≤ 6 % e o intervalo em que o teste deixa passar lote ruim.
Sub-lab · Biológicos e biossimilares
Objetivo
Priorizar moléculas biológicas para biossimilar pelo espaço competitivo.
Por quê
Um biossimilar leva anos e centenas de milhões até chegar ao mercado; o maior risco é escolher a molécula errada e chegar com dez concorrentes. Preço sem concorrência é onde o retorno ainda paga esse investimento.
Variável alvo
Número de empresas com registro e preço mediano por molécula.
Variáveis preditoras / explicativas
Molécula, preço-fábrica (CMED), registros biológicos ativos (Anvisa).
Método
Junção CMED × registros por nome da substância; agrupamento por número de empresas.
Métrica
Moléculas com 1 empresa; preço mediano por faixa de concorrência.
Validação
Moléculas conhecidamente disputadas (infliximabe, trastuzumabe, rituximabe) aparecem com 6 a 10 empresas, como esperado.
Objetivo atingido?
Parcial: a triagem está pronta; falta a data de patente (INPI) para fechar a lista.
Sub-lab · Antibióticos infantis
Objetivo
Identificar as moléculas em que a forma pediátrica é crítica.
Por quê
Falta de antibiótico infantil no inverno é o problema mais visível que um fabricante pode ter. Saber quais moléculas dependem de crianças diz onde estoque de segurança e qualidade valem mais.
Variável alvo
Parte das unidades vendidas para pacientes de 0–14 e 0–4 anos.
Variáveis preditoras / explicativas
Princípio ativo, faixa etária, sexo.
Método
Agregação do SNGPC por molécula e faixa etária (arquivo de 1,3 GB lido em blocos).
Métrica
% das unidades para crianças.
Validação
Idade preenchida em 97 % das unidades de antimicrobianos.
Objetivo atingido?
Sim: ranking pediátrico pronto para planejamento de suspensões.
Sub-lab · Qualidade do dado
Objetivo
Verificar se o SNGPC permite comparar estados e propor uma correção.
Por quê
Toda previsão regional herda os vieses do dado. Medir a cobertura antes de modelar evita mandar produto para onde o sistema transmite mais, e não para onde há mais pacientes.
Variável alvo
Unidades por mil habitantes; razão antimicrobianos ÷ controlados.
Variáveis preditoras / explicativas
UF, classe (controlado, antimicrobiano), população IBGE 2025.
Método
Normalização per capita e por classe de referência.
Métrica
Razão entre o maior e o menor estado; dispersão da razão corrigida.
Validação
A variação de janeiro para julho dos controlados (+27 %) confirma que a cobertura muda no tempo também.
Objetivo atingido?
Sim: a limitação ficou medida e corrigida antes de virar decisão.
  1. 01

    Três bases da Anvisa

    Lista de preços da CMED (26 mil apresentações), cadastro de registros e vendas de controlados e antimicrobianos nas farmácias (SNGPC, janeiro e julho de 2026).

  2. 02

    Correções antes de concluir

    Pares só com apresentação idêntica, variação dividida pela mudança de cobertura do SNGPC e GLP-1 separados dos antibióticos, porque passaram a usar a mesma receita retida.

Genéricos em dados

Três bases públicas da Anvisa contam a história de um laboratório de genéricos: a lista de preços máximos da CMED, o cadastro de registros (quem pode vender o quê) e as vendas de controlados e antimicrobianos nas farmácias (SNGPC). Juntas, elas respondem quanto o genérico custa, quem compete e onde há demanda sem concorrência.

Aplicação real

Planejamento de portfólio e de produção: escolher o próximo genérico a registrar e ajustar a produção de antibióticos ao inverno, quando a procura muda.

01

Quanto o genérico custa a menos

PerguntaQual é a diferença de preço entre o genérico e o medicamento original?

Decisão e porquêA CMED não marca qual produto é o de referência, então comparei o genérico com o produto da categoria "Novo" (o original de marca) da mesma substância e da mesma apresentação, pelo preço-fábrica sem impostos. Só entram pares com apresentação idêntica: 500 mg × 21 comprimidos com 500 mg × 21 comprimidos.

ResultadoEm 1.004 pares, o desconto mediano é de 35 %, com um pico forte entre 30 % e 40 %: é a marca da regra da CMED, que limita o preço de entrada do genérico a 65 % do preço do original. 32 % dos pares ficam abaixo de 35 % de desconto: o original pode ter baixado de preço depois, ou o produto "Novo" do par não é o mesmo usado como referência no registro.

Fonte: CMED/Anvisa · lista de preços PMC, 09/10/2026

Ficha técnica da análise
Objetivo
Medir o desconto real de tabela do genérico sobre o original.
Por quê
Preço de entrada define margem de todo o portfólio de genéricos; saber onde ele se concentra mostra quanto a regulação decide e quanto sobra para estratégia.
Variável alvo
Desconto = 1 − preço do genérico ÷ preço do original.
Variáveis preditoras / explicativas
Substância, apresentação idêntica, categoria (genérico × novo).
Método
Pareamento exato por substância e apresentação; distribuição dos descontos.
Métrica
Desconto mediano; % de pares abaixo de 35 %.
Validação
Pico em 35 % bate com a regra da CMED, o que confirma o pareamento.
Objetivo atingido?
Sim: mediana de 35 %, o desconto é regulatório.

Desconto do genérico sobre o original (preço-fábrica)

0 % – 5 %: 235 % – 10 %: 510 % – 15 %: 1515 % – 20 %: 820 % – 25 %: 1225 % – 30 %: 2330 % – 35 %: 23835 % – 40 %: 42940 % – 45 %: 5345 % – 50 %: 3650 % – 55 %: 2855 % – 60 %: 3660 % – 65 %: 1965 % – 70 %: 1570 % – 75 %: 1075 % – 80 %: 1580 % – 85 %: 1885 % – 90 %: 1690 % – 95 %: 595 % – 100 %: 0regra: ≥ 35 %0 %15 %30 %45 %60 %75 %90 %
02

Mais concorrentes, preço de tabela menor?

PerguntaQuando mais laboratórios vendem o mesmo genérico, o preço de tabela cai?

Decisão e porquêContei quantos laboratórios têm o mesmo genérico na mesma apresentação e ajustei o desconto contra o logaritmo desse número. Era a hipótese econômica natural: mais oferta, mais desconto.

ResultadoA hipótese não se confirmou no preço de tabela: o desconto mediano fica em torno de 35 % com 1, 3 ou 8 concorrentes, e o ajuste explica 0,9 % da variação. O preço da CMED é um teto regulado. A concorrência acontece abaixo dele, nos descontos à farmácia, que não estão em base pública. Resultado útil: para estudar preço de verdade, o dado de tabela não serve.

Fonte: CMED/Anvisa · analises/farma.py

Ficha técnica da análise
Objetivo
Testar se mais concorrentes baixam o preço de tabela.
Por quê
Se o preço de tabela refletisse concorrência, daria para usá-lo em modelos de preço; se não reflete, é preciso outro dado. Testar antes evita um modelo errado.
Variável alvo
Desconto mediano por apresentação.
Variáveis preditoras / explicativas
Número de laboratórios com o mesmo genérico (log).
Método
Regressão linear sobre log(concorrentes) e medianas por faixa.
Métrica
R².
Validação
Faixas com menos de 5 casos excluídas do gráfico.
Objetivo atingido?
Sim, com hipótese rejeitada (R² = 0,9 %): o teto regulado esconde a concorrência.

Desconto mediano por número de laboratórios concorrentes

1 (232 casos): desconto mediano 35 %1 (232 casos)35 %2 (77 casos): desconto mediano 36 %2 (77 casos)36 %3 (43 casos): desconto mediano 35 %3 (43 casos)35 %4–5 (50 casos): desconto mediano 35 %4–5 (50 casos)35 %6–8 (23 casos): desconto mediano 35 %6–8 (23 casos)35 %9–12 (9 casos): desconto mediano 35 %9–12 (9 casos)35 %
03

Quem disputa o mercado de genéricos

PerguntaO mercado de genéricos é concentrado?

Decisão e porquêContei os registros ativos da categoria genérico por empresa detentora no cadastro da Anvisa. Registro não é venda, mas mostra a amplitude do portfólio de cada laboratório.

Resultado121 empresas têm genéricos ativos. As 10 maiores detêm 56 % dos registros, e o HHI é 403, mercado pouco concentrado. Portfólio amplo é a regra entre os líderes, e o diferencial passa a ser chegar primeiro às moléculas novas.

Fonte: Anvisa · DADOS_ABERTOS_MEDICAMENTOS.csv

Ficha técnica da análise
Objetivo
Mapear quem disputa o mercado de genéricos.
Por quê
Concorrência por molécula define quantos rivais um lançamento vai encontrar.
Variável alvo
Registros ativos de genéricos por empresa.
Variáveis preditoras / explicativas
Empresa detentora, categoria, situação.
Método
Contagem e HHI sobre registros.
Métrica
Fatia das 10 maiores; HHI.
Validação
Só registros ativos.
Objetivo atingido?
Sim: 121 empresas, HHI 403, mercado pouco concentrado.

Registros de genéricos ativos por empresa (10 maiores)

Ems: registros 2.567Ems2.567Prati Donaduzzi: registros 2.422Prati Donaduzzi2.422Laboratorio Teuto Brasileiro: registros 2.096Laboratorio Teuto Brasileiro2.096Germed Farmaceutica: registros 1.930Germed Farmaceutica1.930Eurofarma Laboratorios: registros 1.882Eurofarma Laboratorios1.882Brainfarma: registros 1.686Brainfarma1.686Multilab: registros 1.475Multilab1.475Legrand Pharma: registros 1.202Legrand Pharma1.202Geolab: registros 1.172Geolab1.172Ache: registros 1.086Ache1.086
04

Antibióticos no inverno

PerguntaA procura por antibióticos muda entre o verão e o inverno a ponto de mudar o plano de produção?

Decisão e porquêComparei janeiro e julho de 2026 no SNGPC. Dois cuidados: (1) desde 2025 os agonistas de GLP-1 (semaglutida, tirzepatida) usam a mesma receita retida dos antimicrobianos, então separei esses remédios; (2) o volume informado muda de um mês para o outro, então dividi a variação pela dos controlados, que não são sazonais.

ResultadoOs controlados subiram 27 % de janeiro a julho só por cobertura e tendência. Já descontado isso, a azitromicina sobe 174 % e a amoxicilina com clavulanato 46 %, antibióticos de infecção respiratória. A cefalexina, de pele e urina, cai 18 %. O salto do ciprofloxacino (206 %) é grande demais para sazonalidade e pede checagem de cadastro antes de virar plano.

Fonte: Anvisa · SNGPC, EDA_Industrializados_202601 e 202607

Ficha técnica da análise
Objetivo
Medir o efeito do inverno na venda de antibióticos.
Por quê
Produção de antibiótico precisa estar pronta antes do pico; errar o tamanho do pico vira falta na farmácia ou estoque vencendo.
Variável alvo
Variação de unidades jan → jul por antibiótico, ajustada pela cobertura.
Variáveis preditoras / explicativas
Princípio ativo, mês, tipo de receita; controlados como referência de cobertura.
Método
Razão jul/jan dividida pela razão dos controlados; GLP-1 separados.
Métrica
Variação % ajustada.
Validação
Antibióticos não respiratórios (cefalexina, nitrofurantoína) caem, como esperado.
Objetivo atingido?
Sim: azitromicina +174 %, amoxicilina + clavulanato +46 %; ciprofloxacino marcado para checagem.

Variação jan → jul, ajustada pela cobertura

Cefalexina: variação ajustada -18 %Cefalexina-18 %Azitromicina: variação ajustada 174 %Azitromicina174 %Amoxicilina + Clavulanato: variação ajustada 46 %Amoxicilina + Clavulanato46 %Amoxicilina: variação ajustada 9 %Amoxicilina9 %Cefalexina: variação ajustada -18 %Cefalexina-18 %Amoxicilina + Clavulanato: variação ajustada 32 %Amoxicilina + Clavulanato32 %Ciprofloxacino: variação ajustada 206 %Ciprofloxacino206 %Sulfametoxazol + Trimetoprima: variação ajustada -13 %Sulfametoxazol + Trimetopri…-13 %Metronidazol: variação ajustada -6 %Metronidazol-6 %Nitrofurantoina: variação ajustada -8 %Nitrofurantoina-8 %

Barras à esquerda da linha (em laranja) são quedas.

05

Triagem: demanda alta, poucos genéricos

PerguntaQuais substâncias vendem bem, têm preço alto e quase nenhum genérico registrado?

Decisão e porquêCruzei as vendas de janeiro (mínimo de 5 mil unidades no mês) com o preço do original na CMED e o número de empresas com genérico registrado. Pontuação = log(unidades) × log(preço) ÷ (1 + genéricos). Usei correspondência exata de nome: a primeira versão, por prefixo, misturava moléculas diferentes.

ResultadoA lista mistura dois tipos: moléculas recentes de alto valor (tirzepatida, brexpiprazol), em que a patente provavelmente ainda impede o genérico, e moléculas antigas sem genérico registrado (primidona, clobazam, decanoato de haloperidol, axetilcefuroxima), em que a demanda já existe e o obstáculo tende a ser industrial ou regulatório. É uma triagem: cada nome ainda precisa de checagem de patente (INPI), de bioequivalência e de capacidade fabril.

Fonte: SNGPC jan/2026 × CMED × registros Anvisa · analises/farma.py

Ficha técnica da análise
Objetivo
Listar moléculas com demanda e quase sem genérico.
Por quê
A próxima molécula é a maior decisão de um fabricante de genéricos; começar por demanda comprovada reduz o risco de lançar o que ninguém compra.
Variável alvo
Pontuação = log(unidades) × log(preço) ÷ (1 + genéricos).
Variáveis preditoras / explicativas
Unidades SNGPC, preço do original (CMED), empresas com genérico registrado.
Método
Junção exata por nome; triagem por pontuação.
Métrica
Ranking de pontuação.
Validação
Versão por prefixo descartada por misturar moléculas; mínimo de 5 mil unidades.
Objetivo atingido?
Parcial: triagem pronta; falta checar patente e bioequivalência.
substânciaunidades (jan)genéricospreço do original
Tirzepatida369.1540R$ 1.593,93
Brexpiprazol32.2660R$ 459,82
Axetil Cefuroxima35.8120R$ 155,20
Cloridrato De Tapentadol11.2970R$ 147,65
Cloridrato De Dapoxetina11.7200R$ 140,31
Modafinila7.5870R$ 154,56
Decanoato De Haloperidol5.5060R$ 118,10
Primidona21.9910R$ 45,09
Sulfato De Morfina Pentaidratado23.2441R$ 1.613,42
Clobazam114.0140R$ 17,93

Preço-fábrica mediano das apresentações do original, sem impostos.

O que cada dado contribuiu

  1. Lista CMED: mediu o desconto real de tabela e mostrou o efeito da regulação no preço de entrada.
  2. Teste de concorrência: rejeitou uma hipótese natural e evitou usar o dado errado para estudar preço.
  3. Cadastro de registros: deu o mapa de quem compete em cada molécula.
  4. SNGPC: trouxe demanda real por molécula e o efeito do inverno nos antibióticos, depois de corrigir cobertura e a mudança de regra dos GLP-1.

Limites desta análise

  • O SNGPC cobre só controlados e antimicrobianos vendidos em farmácias privadas, não o mercado inteiro.
  • Dois meses não fazem uma série: a sazonalidade aqui é um indício. Os arquivos de 2021-11 a 2025-12 não estão publicados.
  • Preço de tabela é teto. Preço praticado e participação de mercado em valor não são públicos.

Código da análise: analises/farma.py

Sub-labs: estratégia de um laboratório de genéricos

Seis análises curtas, cada uma a partir de um fato público recente do setor: um lançamento que não decolou, uma compra em análise no CADE, uma falha de qualidade, um biossimilar atrasado, um recolhimento de antibiótico infantil e um problema de dado. Em cada uma: o objetivo, por que importa, como medi e se cheguei lá.

Contexto público

As primeiras canetas nacionais de liraglutida chegaram às farmácias em 2025. A propaganda delas foi suspensa pela Anvisa em abril de 2026 e uma ação publicitária foi suspensa pelo Conar em setembro. Com o fim da patente da semaglutida no Brasil em 2026, laboratórios nacionais registraram versões próprias, com a promessa de custar cerca de 30 % menos que o original.

PerguntaPor que a liraglutida nacional não ganhou o mercado, e o que a semaglutida nacional precisa para não repetir isso?

Como mediMedi a demanda pelas vendas com receita retida no SNGPC (janeiro e julho de 2026) e o custo de um mês de tratamento pelo preço-teto da CMED por miligrama vezes a dose de manutenção da bula (liraglutida 3 mg/dia; semaglutida 2,4 mg/semana; tirzepatida 15 mg/semana).

ResultadoEm julho, a liraglutida vendeu 23.743 unidades, 2,1 % dos GLP-1, contra 603.433 da semaglutida e 486.516 da tirzepatida. No preço-teto, a nacional custa R$ 961 por mês, praticamente o mesmo do original (R$ 986): sem vantagem de preço e com aplicação diária contra semanal. Na semaglutida, o teto das versões nacionais (R$ 1.860/mês) fica acima da apresentação mais barata do original (R$ 1.501). Os 30 % prometidos levariam a R$ 1.302, abaixo do original: o desconto precisa ser real na farmácia, não só na tabela.

Onde isso ajudaUm painel mensal do SNGPC por UF e molécula mede a participação logo depois do lançamento, e um modelo de custo por mês de tratamento define o preço mínimo competitivo antes de lançar, em vez de depois.

Ficha técnica da análise
Objetivo
Explicar a baixa adesão da liraglutida nacional e definir a condição de preço para a semaglutida nacional.
Por quê
Lançamento sem vantagem de preço nem de posologia queima investimento e espaço de prateleira; entender por que a primeira caneta não pegou é o jeito mais barato de acertar a segunda. Custo por mês de tratamento é a conta que médico e paciente fazem, por isso comparei nessa unidade, não por caixa.
Variável alvo
Participação de cada molécula nas unidades de GLP-1 vendidas; custo mensal de tratamento (R$).
Variáveis preditoras / explicativas
Molécula, mês, preço-teto por mg, dose de manutenção, frequência de aplicação.
Método
Agregação do SNGPC; cálculo de custo por mês a partir da concentração e do volume de cada apresentação.
Métrica
Participação (%) e R$/mês.
Validação
Conferência manual das apresentações lidas da CMED; comparação jan × jul.
Objetivo atingido?
Sim: a diferença de adesão é explicada por preço igual ao original e posologia diária; a condição de preço da semaglutida ficou quantificada.

Fontes: Futuro da Saúde · Meio & Mensagem (Conar) · Atlas Público (Anvisa RE 1.809) · SNGPC + CMED · analises/farma_estrategia.py

Unidades vendidas de GLP-1, janeiro × julho de 2026

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2,1 %liraglutida nas unidades de GLP-1 (jul)
R$ 1.302semaglutida/mês com 30 % de desconto